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Educação bancária: o que defende a pedagogia freiriana?

Paulo Freire, considerado o patrono da educação brasileira e um dos teóricos mais citados mundialmente em Ciências Humanas, é reconhecido por sua pedagogia libertadora. 

No entanto, em 2026, defender as ideias de Freire ultrapassa os muros da escola: tornou-se um ato urgente para quem busca humanização da comunicação em um mundo saturado por inteligência artificial genérica.

Na atual conjuntura, a “educação bancária” criticada por Freire encontrou um novo formato: a “comunicação bancária”. Vemos diariamente o ato de apenas depositar informações no cliente, um padrão mecânico das IAs, sem considerar o contexto ou a troca real.

Por que é preciso defender as ideias de Paulo Freire?

Na atual conjuntura política em que vivemos, falar e defender as ideias de Paulo Freire é mais do que urgente… É a busca por uma educação de qualidade, igualitária e justa. O educador acreditava na educação dialógica e na humanização dos homens. Dessa forma, precisamos entender o contexto social e histórico do nosso país. 

O Brasil é um dos países com uma das maiores desigualdades sociais e econômicas do mundo, e não há projetos políticos para a melhoria da situação. Na verdade, o que temos é a intensificação e a perpetuação desses problemas. Às vezes, parece que vivemos em uma crise permanente. 

O nosso problema é estrutural, e isso permeia o campo educacional de uma forma extremamente grave. O ensino brasileiro é muito defasado, aliás, muitos não conhecem ou nunca ouviram falar neste nome – Paulo Freire. Ou, ainda, escutam julgamentos errôneos de sua obra.  

Além disso, infelizmente, a formação universitária brasileira não oferece a leitura necessária das obras do pensador. Muitos estudantes de Pedagogia ou Licenciatura terminam o Curso Superior sem ter tido contato com sua teoria.

A desvalorização da docência e a contradição do cotidiano 

No Brasil, os professores enfrentam inúmeros problemas em sua profissão: salas de aula com muitos alunos, falta de infraestrutura e de materiais, formação insatisfatória, formas de contratação precária, condições degradantes de trabalho, salários baixos e desvalorização social da docência. 

São tantos problemas que não há espaço para o diálogo ou a reflexão da prática e, dessa forma, não é possível encontrar soluções para as dificuldades. As políticas são impostas e, cada vez mais, o professor perde sua voz. 

Contudo, o diálogo, a escuta e a doação fazem parte do fazer cotidiano do educador. São competências necessárias para a prática educativa. Nesse sentido, faz parte do seu trabalho lutar por uma educação emancipadora e libertadora em que todos os alunos tenham vozes e sejam ouvidos. A educação de qualidade, emancipadora e dialógica é um direito de todos. 

O professor está imerso na contradição de sua ação: ele luta por uma educação emancipadora, mas tem impedimentos por todas as questões estruturais e políticas dominadoras que envolvem seu trabalho. Ou seja, ele é movido pela educação bancária. 

Afinal, o que é a educação bancária?  

Paulo Freire define a educação bancária como “um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador, o depositante” (FREIRE, 2017, p. 80). Na concepção bancária de educação, o saber é uma doação, uma transmissão de conhecimento, em que os alunos recebem o depósito do conteúdo. Diante disso, não há reflexão, não há criatividade, não há transformação e não há saber. 

Nesse sentido, o professor detém o saber e o conhecimento e somente transmite para o aluno. Os alunos não interagem com o professor e não tem conhecimento prévio do tema que vão estudar. A educação bancária nega a educação como um processo de busca pelo conhecimento.

Nas palavras do educador, a educação bancária “é o ato de depositar, de transferir, de transmitir valores e conhecimentos” (FREIRE, 2017, p. 82). Não se reflete sobre a sociedade em que se vive. O aluno é meramente um depósito, bem como ocorre na atividade bancária. 

Com base nessa teoria, é importante frisar que uma sociedade democrática não pode ser movida por uma educação bancária e controladora. A relação entre educador e educando precisa ter um caráter especial e marcante. Assim, precisamos ir contra a educação bancária, a qual, infelizmente, está posta nos modelos tradicionais de educação. 

Educação bancária e seu impacto no processo de aprendizagem

A educação bancária enxerga o homem como um ser de adaptação e do ajustamento. Logo, o aluno não é ativo em seu processo de aprendizagem. O professor transfere o conhecimento, mas o aluno não tem voz. É uma educação autoritária. O aluno tem papel passivo – não tem opção de escolha e reflexão sobre o processo de aprendizagem. 

Para superar a educação bancária, Paulo Freire defendia a educação problematizadora como alternativa aos educadores, tendo em vista que nessa perspectiva existe uma troca mútua de conhecimento: “o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa” (FREIRE, 2017, p. 96). 

Assim, o papel do educador na educação problematizadora é proporcionar condições aos educandos de superação do conhecimento, buscando-o de forma coletiva. Nela, existe a troca e o diálogo entre aluno e professor, não há distância entre eles – os dois estarão motivados para o objetivo da aprendizagem. 

Provocar novos desafios e diferentes formas de compreender o mundo em que vivemos é o principal papel do educador. É preciso engajamento na luta política pela transformação das condições concretas e tradicionais para que se consiga ter uma educação libertadora.

Tipo de Conteúdo
#livrosPedagogia do oprimido, de Paulo Freire;

Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido, de Paulo Freire;

Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, de Paulo Freire.
#vídeo Programa Paulo Freire: Educação bancária X Educação Problematizadora

A Humanização como Diferencial Competitivo: Paulo Freire e o Marketing de Conteúdo

Para superar a educação bancária, Paulo Freire propunha a educação problematizadora

Nela, ocorre uma troca mútua: “o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando”.

No Marketing de Conteúdo, essa lógica subverte a comunicação unilateral. Em uma era onde IAs produzem textos em segundos, a autoridade real vem da capacidade humana de dialogar. 

O Google, através de suas diretrizes de E-E-A-T (Experiência, Especialização, Autoridade e Confiança), prioriza conteúdos que demonstrem vivência real e conexão humana, algo que a “comunicação bancária” automatizada não consegue entregar.

A Dialogicidade como Antídoto à Automação

Adotar a pedagogia freiriana na sua estratégia significa entender que o conteúdo não é um ponto final, mas o início de uma conversa. Enquanto a automação foca em volume, a humanização foca em proporção de resposta. Isso exige que o seu conteúdo convide à dúvida e à construção conjunta, em vez de apenas ditar regras ou fórmulas prontas.

  • Conteúdo Aberto: Publicações que provocam a reflexão e pedem a opinião do leitor, tratando-o como sujeito ativo e não apenas como um “lead” a ser convertido.
  • Escuta Ativa: A marca utiliza o feedback e os comentários não apenas como métrica de vaidade, mas como insumo para ser “educada” pelo seu público e ajustar sua narrativa.

Respeito ao Repertório e Bagagem do Público

Freire defendia que ninguém é uma “tábula rasa”. No marketing, isso significa reconhecer que seu público traz uma bagagem de vivências, frustrações e sucessos que enriquecem a discussão. 

Respeitar esse conhecimento prévio exige abandonar o tom condescendente e adotar uma postura de parceria, validando as dores reais do cliente antes de apresentar qualquer solução. 

Ao conectar sua expertise com o mundo real do consumidor, a marca estabelece uma confiança baseada na empatia e no reconhecimento mútuo.

O Hub de Conteúdo como Prática da Liberdade

Construir um Hub de Conteúdo proprietário sob a ótica freiriana é transformar a informação em uma ferramenta de emancipação. 

Quando sua marca educa o mercado, ela o faz para libertá-lo da dependência de soluções rasas ou de fornecedores que lucram com a falta de conhecimento do cliente.

  • Consumo Consciente: Um cliente educado tem critérios técnicos para escolher o melhor, o que torna sua marca a escolha lógica e ética.
  • Lealdade por Convicção: A fidelidade deixa de ser fruto de gatilhos mentais manipuladores e passa a ser baseada na gratidão pela transformação intelectual que sua marca proporcionou.

Leia Também: O que é conteúdo autoral e por que ele gera autoridade?

 

*Nosso site teve menção no artigo: “Os Melhores Blogs Sobre Paulo Freire em 2025 no Brasil” publicado no site da plataforma educacional Twinkl. Professores e pais encontrarão muitos artigos e conteúdos valiosos sobre pedagogia e educação. Do site do editor, você também pode baixar gratuitamente um pacote de seus recursos educacionais.

 

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Andressa Baldini

Mestre em Educação da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) com especialização em psicopedagogia e Graduação em Pedagogia (UNIFESP). Dedica-se a estudar a educação escolar nas prisões e gestão escolar.